terça-feira, 11 de agosto de 2015

Ciclos

Estava andando a toa na orla,
Marcando meu tempo pela leva da onda.
Que quebrava na praia e ia embora.
Salgando sua areia de ponta a ponta.

Levou-se uma mar adentro.
A primeira que vejo por hora
E quando se vai escorrendo,
Arremete outra bem agora.

Já é a segunda que estou vendo,
Levou-se uma e outra nem demora.
Por cima da que já ia se escondendo,
Do mar vinha a terceira pra fora.

E toda a areia foi escurecendo,
Destoava da seca que lhe sobra.
Algumas rochas até perecendo,
Com capricho deixando formas.

Quando vi já acabava meu tempo,
Este sem cerimônia se esgota,
Era dia mas já vai anoitecendo,
E agora me levo e vou embora.

Alan Viana de Morais

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Direção

Aqui jaz meu sentido de norteio.
Perece figura abstrata, inanimada.
Sua existência fora mero sorteio,
Lido apenas o epílogo, mais nada.

Digam-me, para que ele veio?
São rumos em vidas rechaçadas,
No mais simples e puro devaneio,
De mentes tão deturpadas!

Há tantas realidades que não creio,
Serem sequer de minha alçada.
Mas não por repúdio ou receio,
Apenas por maior leveza na caminhada.

Iluda-se, pessoa, com teu rumo certeiro.
Suas pegadas já me parecem tão rasas!
Norteie-se por estes gestos derradeiros,
Por ter o fim a cada início que lhe passa.

Alan Viana de Morais